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Conflitos mais comuns na escola: exemplos e formas de lidar

Conheça os conflitos mais comuns no ambiente escolar, suas características, exemplos e os cuidados que o mediador deve ter ao lidar com cada situação.


11 de agosto, 2026 Educação
11 ago 2026 · Educação
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O ambiente escolar reúne diariamente pessoas com diferentes idades, experiências, opiniões, necessidades e formas de se relacionar. Por essa razão, conflitos podem surgir em diferentes momentos da rotina, envolvendo alunos, professores, famílias e outros profissionais.

Conhecer os conflitos mais comuns ajuda o mediador a reconhecer situações que fazem parte do cotidiano escolar e a compreender que cada uma delas exige uma análise própria. Não existe uma solução única para todos os conflitos.

Também é importante lembrar que um conflito não deve ser tratado automaticamente como indisciplina ou violência. Antes de agir, é necessário compreender o que aconteceu, quem está envolvido, qual é a intensidade da situação e se ela está dentro das possibilidades de atuação do mediador.

Conflitos entre alunos

Os desentendimentos entre estudantes estão entre as situações que podem aparecer com maior frequência na rotina escolar.

Eles podem ocorrer durante as aulas, no recreio, em atividades esportivas, trabalhos em grupo ou outros momentos de convivência.

Alguns exemplos são:

  • Discussões por materiais;
  • Disputas por espaços;
  • Divergências durante brincadeiras;
  • Desentendimentos em trabalhos coletivos;
  • Provocações;
  • Comentários interpretados como ofensivos;
  • Dificuldades de convivência;
  • Divergências sobre regras de determinada atividade.

Em situações simples e compatíveis com a mediação, o profissional pode ajudar os estudantes a organizar a conversa, ouvir diferentes versões e buscar alternativas.

Porém, quando houver agressão, ameaça ou risco à integridade de alguém, a prioridade deve ser a segurança e o cumprimento dos procedimentos da escola.

Conflitos durante brincadeiras e jogos

Brincadeiras e jogos são importantes espaços de interação, mas também podem gerar desentendimentos.

É comum que surjam discussões relacionadas a regras, resultados, participação ou divisão de equipes.

Por exemplo, dois alunos podem discordar sobre se determinada jogada foi válida. A discussão pode aumentar porque cada um acredita estar com a razão.

Nessas situações, é possível trabalhar questões como:

  • Respeito às regras;
  • Capacidade de ouvir;
  • Aceitação de resultados;
  • Controle das reações;
  • Negociação;
  • Respeito ao colega.

O mediador deve evitar transformar uma divergência simples em uma situação maior do que ela realmente é. Ao mesmo tempo, não deve ignorar comportamentos que ultrapassem os limites de uma disputa saudável.

Conflitos em trabalhos de grupo

Atividades coletivas podem gerar conflitos porque exigem divisão de tarefas e cooperação.

Um estudante pode acreditar que realizou a maior parte do trabalho, enquanto outro considera que sua contribuição foi suficiente. Também podem surgir divergências sobre quem deve realizar determinada tarefa ou sobre qual ideia deve ser utilizada.

Para lidar com esse tipo de situação, é útil esclarecer:

  1. Qual era a tarefa?
  2. Como as responsabilidades foram divididas?
  3. O que cada integrante realizou?
  4. Onde surgiu a divergência?
  5. O que pode ser ajustado?

Quando o problema está relacionado à própria organização pedagógica da atividade, a questão deve ser direcionada ao professor responsável.

Conflitos relacionados a regras

As regras fazem parte da organização escolar. Mesmo assim, estudantes podem discordar delas, interpretá-las de maneira diferente ou apresentar resistência ao seu cumprimento.

Podem surgir conflitos relacionados a:

  • Uso de celulares ou outros dispositivos;
  • Horários;
  • Uniforme;
  • Circulação pelos espaços;
  • Comportamento em sala;
  • Participação em atividades;
  • Uso de materiais e equipamentos.

O mediador não deve criar regras ou alterar normas por conta própria. Sua função, quando cabível, é ajudar na comunicação e encaminhar a situação conforme as orientações da instituição.

Conflitos entre aluno e professor

Divergências entre estudantes e professores podem envolver comportamento, regras, atividades, comunicação ou expectativas diferentes.

Um aluno pode entender determinada orientação como injusta, enquanto o professor considera que ela é necessária para o funcionamento da aula.

Nessas situações, o mediador precisa manter uma postura equilibrada.

Ele não deve assumir automaticamente a posição do aluno nem a do professor. Quando sua atuação for solicitada e estiver dentro de suas atribuições, poderá contribuir para organizar a comunicação e esclarecer o que ocorreu.

Questões pedagógicas, disciplinares ou administrativas devem ser encaminhadas aos profissionais responsáveis.

Conflitos entre alunos e funcionários

A convivência escolar envolve diversos profissionais, como funcionários administrativos, profissionais de apoio, equipe de limpeza, inspetores e outros trabalhadores.

Também podem surgir divergências entre esses profissionais e os estudantes.

Uma situação pode começar, por exemplo, quando um funcionário orienta um aluno a respeitar determinada regra e o estudante reage negativamente.

Nesse caso, é importante compreender o contexto, evitar julgamentos precipitados e seguir a organização definida pela escola.

Conflitos entre profissionais

Professores, gestores e demais profissionais também podem apresentar opiniões diferentes.

Podem surgir divergências relacionadas a:

  • Organização da rotina;
  • Divisão de responsabilidades;
  • Comunicação;
  • Procedimentos internos;
  • Decisões administrativas;
  • Formas de conduzir determinadas situações.

O mediador escolar não deve assumir automaticamente a função de resolver conflitos entre adultos. Sua atuação dependerá das atribuições do cargo e das orientações da instituição.

Quando o conflito estiver fora de sua competência, a situação deve ser encaminhada à gestão ou ao responsável adequado.

Conflitos entre escola e família

A relação entre família e escola é importante para o acompanhamento dos estudantes, mas também pode apresentar divergências.

As famílias podem questionar decisões, procedimentos ou informações recebidas. A escola, por sua vez, pode precisar conversar com os responsáveis sobre comportamento, participação, frequência, aprendizagem ou convivência.

Uma comunicação inadequada pode aumentar a tensão.

Por isso, o mediador deve:

  • Ouvir com respeito;
  • Evitar acusações;
  • Não expor informações sobre outras pessoas;
  • Não prometer soluções que não pode oferecer;
  • Encaminhar questões institucionais ao profissional responsável;
  • Registrar informações quando isso fizer parte de suas atribuições.

Exclusão e dificuldades de integração

Alguns estudantes apresentam dificuldades para se integrar aos grupos.

Isso pode aparecer como isolamento, rejeição, ausência de participação em atividades coletivas ou dificuldades persistentes de relacionamento.

É necessário cuidado para não concluir imediatamente que existe uma situação de violência. O mediador deve observar o contexto e comunicar à equipe responsável quando identificar um problema que precise de acompanhamento.

A escola pode trabalhar estratégias de convivência e inclusão, respeitando as características e necessidades de cada estudante.

Provocações e ofensas

Comentários, apelidos, brincadeiras e provocações podem gerar conflitos.

Uma fala pode ser considerada uma brincadeira por quem a fez, mas provocar constrangimento ou sofrimento em outra pessoa. Por isso, a análise precisa considerar o contexto e a repetição do comportamento.

O mediador deve evitar frases como:

“Foi só uma brincadeira.”

Essa resposta pode minimizar a experiência de quem se sentiu ofendido.

É mais adequado compreender o que aconteceu, ouvir os envolvidos e verificar se existe um padrão de comportamento.

Bullying e situações de violência

O bullying merece atenção específica porque não deve ser confundido com qualquer conflito entre estudantes.

A legislação brasileira define bullying como uma forma de violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, praticada sem motivação evidente, por indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-las ou agredi-las, causando dor e angústia, em uma relação de desequilíbrio de poder. A Lei nº 13.185/2015 também prevê diferentes formas de bullying, incluindo agressões físicas, insultos, ameaças, isolamento social e outras condutas.

Por isso, um desentendimento isolado entre dois alunos não deve ser automaticamente classificado como bullying.

Por outro lado, situações repetidas de humilhação, intimidação, perseguição ou agressão não devem ser tratadas simplesmente como “brigas de crianças”.

Quando houver suspeita ou identificação de violência, a escola deve seguir seus protocolos e as medidas de proteção aplicáveis. O mediador não deve tentar resolver sozinho uma situação dessa natureza.

Atenção a alguns sinais

É importante observar situações como:

  • Humilhações repetidas;
  • Ameaças;
  • Perseguição;
  • Exclusão intencional e recorrente;
  • Agressões físicas;
  • Intimidação;
  • Divulgação ofensiva de conteúdos;
  • Ataques realizados por meios digitais.

A identificação de uma situação de bullying exige análise do contexto e não deve ser baseada apenas em uma impressão momentânea.

Conflitos no ambiente digital

A convivência entre estudantes também ocorre fora dos espaços físicos da escola, especialmente por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais.

Desentendimentos podem surgir por:

  • Mensagens ofensivas;
  • Comentários;
  • Divulgação de conteúdos sem autorização;
  • Criação de grupos para excluir alguém;
  • Discussões iniciadas ou ampliadas pela internet;
  • Compartilhamento de imagens ou informações constrangedoras.

Quando uma situação digital repercute na convivência escolar, ela pode exigir atenção da instituição.

O mediador deve evitar investigar por conta própria ou acessar contas privadas dos alunos. A situação deve ser comunicada pelos canais apropriados e conduzida conforme as orientações da escola e a legislação aplicável.

Conflitos por preconceito e discriminação

Situações envolvendo preconceito ou discriminação exigem atenção especial.

Comentários ou atitudes dirigidos a uma pessoa em razão de características pessoais ou de pertencimento a determinado grupo não devem ser tratados simplesmente como uma divergência de opiniões.

Nessas situações, é necessário preservar a pessoa afetada, comunicar o ocorrido aos responsáveis e seguir as medidas previstas pela instituição e pelas normas aplicáveis.

O mediador deve evitar relativizar a situação ou colocar sobre a pessoa atingida a responsabilidade de “resolver” o problema por meio de uma conversa.

Conflitos que envolvem agressão física

Empurrões, socos, chutes e outras agressões físicas exigem uma postura diferente de um simples desentendimento verbal.

A primeira preocupação deve ser a segurança.

O mediador não deve colocar sua própria integridade em risco tentando separar fisicamente pessoas em situação de agressão, especialmente quando não possui treinamento ou orientação específica para isso.

Nessas circunstâncias, devem ser acionados os profissionais responsáveis e seguidos os procedimentos de segurança da instituição.

Somente depois de controlada a situação e avaliadas as condições adequadas é que outras formas de intervenção poderão ser consideradas.

Conflitos recorrentes

Um conflito que se repete merece atenção especial.

Se dois alunos discutem repetidamente, por exemplo, não basta analisar cada episódio isoladamente. Pode existir uma questão de convivência ainda não resolvida.

Perguntas importantes são:

  • Quando esses conflitos começaram?
  • Em quais situações acontecem?
  • Quem costuma estar presente?
  • Existe algum padrão?
  • O que acontece antes e depois dos episódios?
  • As medidas adotadas anteriormente produziram algum resultado?

A repetição pode indicar a necessidade de uma intervenção mais ampla da equipe escolar.

Como o mediador deve analisar um conflito?

Diante de uma situação concreta, podemos organizar a análise em cinco pontos:

1. Identificar

Quem está envolvido e o que aconteceu?

2. Compreender

Quais são as versões e percepções apresentadas?

3. Avaliar

Existe risco, violência, ameaça ou outra circunstância que exija encaminhamento específico?

4. Verificar os limites

A situação está dentro das atribuições do mediador?

5. Encaminhar

Qual profissional ou setor deve participar da solução?

Essa sequência ajuda a evitar respostas impulsivas.

Um exemplo completo

Dois alunos discutem durante o recreio porque ambos querem utilizar o mesmo espaço.

Inicialmente, pode existir apenas um conflito de interesse.

Se eles conseguem conversar e aceitar uma divisão do espaço, o problema pode ser resolvido de forma simples.

Se um deles começa a insultar o outro, surge também um conflito relacionado à comunicação e ao comportamento.

Se passam a ocorrer ameaças ou agressões, a situação assume outra gravidade e exige medidas de proteção e encaminhamento.

O exemplo demonstra que o mesmo episódio pode mudar de natureza conforme os acontecimentos evoluem.

O que o mediador deve evitar?

Independentemente do tipo de conflito, algumas condutas devem ser evitadas:

  • Decidir quem é o culpado antes de ouvir os envolvidos;
  • Minimizar situações de sofrimento;
  • Tratar violência como simples discussão;
  • Forçar pessoas a participarem de uma conversa inadequada à situação;
  • Prometer sigilo absoluto quando existem deveres de comunicação e proteção;
  • Expor os envolvidos diante de outras pessoas;
  • Tentar solucionar sozinho situações que ultrapassam sua função;
  • Utilizar punição como substituta do diálogo quando a mediação for cabível;
  • Ignorar conflitos recorrentes.

O mediador precisa compreender que cada conflito possui contexto, intensidade e características próprias. Uma discussão sobre uma brincadeira não deve receber necessariamente o mesmo encaminhamento de uma situação de ameaça ou violência.

Conhecer os conflitos mais comuns permite ao profissional reconhecer padrões, fazer perguntas mais adequadas e escolher o encaminhamento compatível com cada situação. 

O objetivo não é memorizar uma lista de problemas, mas desenvolver a capacidade de observar o que está acontecendo e distinguir uma divergência cotidiana de uma situação que exige intervenção específica.

No ambiente escolar, essa capacidade de diferenciação é indispensável para que o mediador contribua de forma responsável para a convivência, sem ultrapassar seus limites profissionais e sem minimizar situações que exigem proteção e providências.

Este artigo pertence ao Curso Mediador Escolar

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