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ESCOLA FRANCESA

A Escola Francesa surgiu em 1960, no Centro de Estudos de Comunicação de Massas (CECMAS) dentro da Escola Prática de Alto Estudos, em que os teóricos Georges...


23 de setembro, 2019 Comunicação e Vendas
23 set 2019 · Comunicação e Vendas
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A Escola Francesa surgiu em 1960, no Centro de Estudos de Comunicação de Massas (CECMAS) dentro da Escola Prática de Alto Estudos, em que os teóricos Georges Friedmann, Edgard Morin e Roland Barthes participaram e criaram a revista Communications. Por esse grupo reflexivo passaram também Julia Kristeva e Christian Metz. A Escola Francesa deu-se quando intelectuais, sociólogos, filósofos e teóricos de diversas áreas passaram a partilhar alguns pontos de vista sobre a comunicação e a sociedade, participaram de grupos de estudos e de pesquisas e fundaram revistas. Foram muitos grupos diferentes que geraram oposições, divergências, visões de mundo e ideologias opostas, utopias e teorias distintas. A escola francesa parte de dois eixos:


1) A corrente estruturalista (derivada da Escola de Frankfurt): abrange diversas correntes de pensamento fundamentadas na ideia de que os fenômenos e fatos culturais podem ser avaliados como estruturas, ou seja, é uma teoria que vê a sociedade e sua cultura formadas por estruturas que são utilizadas como bases para variados fatores

2) A corrente culturalista: indivíduo resiste a imposição do estruturalismo com uma cultura já existente. 


Esses intelectuais franceses estavam preocupados com os temas: 


a) Cultura de massa;

b) Indústria cultural;

c) Mídia;

d) Comunicação.


Os franceses nunca fecharam questões sobre o campo da comunicação propriamente dito. A França, nessa época, estava mergulhada no pós-estruturalismo e na desconstrução, mesmo assim, a comunicação era bastante estudada e disputada por outras disciplinas, tais como: sociologia, antropologia, filosofia, lingüística e ciências políticas. Muitos são os nomes dos teóricos que fazem parte da chamada Escola Francesa, alguns deles são:


  • Pierre Bourdieu

  • Georges Friedmann

  • Edgar Morin

  • Guy Debord

  • Paul Virílio

  • Michel Maffesoli

  • Jean Baudrillard

  • Lucien Sfez

  • Jacques Derrida

  • Dominique Wolton

  • Pierre Levy

  • Regis Debray

  • Claude Levi-Strauss

  • Roland Barthes

  • Michel Foucault

  • Gilles Deleuze

  • Serge Hamili

  • Henri Lefebvre

  • Jean-François Lyotard


Na concepção francesa, um teórico intelectual deve: 


a) Ser especialista;

b) Pertencer a um campo;

c) Participar das questões de esfera pública.


A problemática mais específica da Escola Francesa encontra-se na classificação das perspectivas comunicacionais divididas em três eixos, a saber:


1) Comunicação como fenômeno de dominação;

2) Comunicação como fenômeno extremo;

3) Comunicação como vínculo social complexo. 


No que se refere aos estudos culturais capazes de englobar o fenômeno da comunicação, é Roland Barthes, no campo da semiologia (estudo de todos os sistemas de signos) que abrindo canteiro de ensaios, alça voos e produz contradições. Em seu livro Mitologias, a legitimação dos mitos modernos da mídia, Barthes reconhece a nova fábrica de mitos sem os reduzir a uma mera manipulação da consciência. 


Edgard Morin em O Espírito do Tempo também elabora estudos sobre a comunicação que formam a safra das Teorias Culturológicas. Neles, há mais perspectiva de um novo imaginário cultural do que estudos focados na mídia e na comunicação. Com Morin, por exemplo, os estudos da comunicação enveredaram-se para uma perspectiva complexa e imaginal: motor e movido de uma sociedade de imagem.


Nos anos 60, os estudos sobre comunicação têm Guy Debord, o inseminador mais radical de todos os tempos e, mais tarde um pouco, Baudrillard como um dos analistas menos artificiais. Debord com sua sociedade do espetáculo inaugura uma perspectiva em que a imagem supera o sujeito. Na mesma época, nomes e obras de valor eram publicados por pesquisadores italianos, são eles: Umberto Eco, Paolo Fabbri, Gianfranco Bettetini e Francesco Casetti. Eco esteve no Brasil e lecionou na USP. 


As obras que marcaram a Escola Francesa e a Europa são: 


• A sociedade do Espetáculo de Guy Debord

• A antropologia Estrutural de Claude Levi Strauss

• O Curso de lingüística Geral de Ferdinand de Saussure

• Apocalípticos e Integrados de Umberto Eco;

• Système de la mode e Mytologies de Barthes;

• Lire Le Capital de Louis Althusser;

• As palavras e as coisas e Vigiar e Punir de Foucault.

• Posicion contre le technocrates de Henri Lefebvre

• O Espírito do Tempo de Morin

• Sobre a televisão de Bourdieu


Neste contexto, é relevante salientar a importância das pesquisas de Foucault, Debord e Baudrillard que disseminam signos sobre a comunicação. Debord radiografou a sociedade do espetáculo (visão de mundo, relação entre pessoas) e Baudrillard dissecou a sociedade de consumo, as maiorias silenciosas e as estratégias fatais. A França, hoje, ainda, é dividida em dois grupos: 


a) Aqueles que acreditam no bom uso futuro da mídia (Bourdieu, Sfez e Virilo);

b) Aqueles que consideram a mídia um fenômeno extremo, irredutível à lógica da utilidade social (Baudrillard).


No tempo de Barthes acreditava-se que se pudesse tirar o homem do torpor ministrado pela mídia; e Baudrillard acreditava que a massa neutralizava os mídia pela indiferença. Baudrillard anunciava a morte do bom uso da TV e esse anúncio, ainda, ressoa na França. Régis Debray em sua obra Mediologie desloca a discussão para o médium.. Sfez persiste numa linha virulenta, denunciando o tautismo do destinatário. Virilio inverte os pilares da crítica tradicional aos mídia: a geração do isolamento, a lógica provoca a aceleração total e comprime o tempo, suprime o espaço e elimina a distância, assim não haveria mais privacidade nem mistério. Eis a novíssima sociedade: desprovida de mistério e obscena. 


Morin reconhece a força estimuladora de imaginários dos meios de comunicação, mas estabelece sistemas de influência recíproca: a mídia alimenta-se do mundo que é alimentado pela mídia; o imaginário move os homens que inventam os imaginários; o espírito do tempo dinamiza o tempo do espírito. Pierre Lévy tornou-se o porta voz das tecnologias enquanto Dominique Wolton e Sfez atacam o discurso excessivo e a utopia tecnológica. Lévy viu nas redes um-todos por um processo comunicacional todos-todos. Segundo ele, o sujeito, o autor e, até mesmo o emissor, morreram. Nesse sentido, a comunicação sai do estigma da manipulação para entrar na utopia da mediação. 


Para Virilio, a modalidade pós-moderna é de encarceramento do ser na ilusão coletiva: eis que tudo é "interatividade" (modo tecnológico de participação no imaginário do outro). Maffesoli, mesmo antes da explosão da internet, tratava do estar-junto como efervescência coletiva, uma espécie de tribalismo; esse coletivismo tinha uma função lúdica. Para ele, a imagem funciona como um totem em torno do qual comungam os espectadores. Para Maffesoli, a internet ajuda no encantamento do mundo já começado em outros domínios e que pode ser rotulado de pós-moderno: estilo de vida que une antigo e tecnológico. 


Para Baudrillard, não apenas o emissor e o receptor morreram, mas também o interlocutor, pois não há troca, toda tentativa de contato é difração. Para Sfez o emissor ainda existe, mas é um emissor-receptor-interlocutor lobotomizado. Para Lévy, o ciberespaço é a utopia (não-lugar) onde a comunicação se libera da identidade e realiza-se por identificação transitória. Esses estudos resumem-se em herdeiros de Frankfurt interessados na indústria cultural e na cultura de massa.


Já Bourdieu disseca, por um viés um tanto maniqueísta, o imaginário da indústria cultural da consciência, contido nas personagens de Disney. Para ele, há a circularidade da informação, pois a mídia fala dela mesmo, pauta-se em outras mídias; a mídia saiu do acontecimento e virou personalidade. Hoje, mídia é personalidade! A Escola Francesa é uma coletânea de fragmentos, de obras e inserções, recortes e cruzamentos transdisciplinares em que sociólogos, filósofos, antropólogos e psicólogos, por linhas diversas e distintas, criaram postulados e teorias. Os franceses pensaram mais a comunicação como intelectuais do que como cientistas, pesquisadores e especialistas


Este artigo pertence ao Curso Teorias da Comunicação

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