Educação nas prisões: como o ensino ajuda na reinserção social dos presos
Saiba quais programas educacionais são oferecidos nas prisões, como EJA, cursos profissionalizantes e ensino superior à distância, e veja como o agente apoia esse processo.
A educação é uma das ferramentas mais importantes para promover a reinserção social de pessoas privadas de liberdade. Dentro do sistema prisional, oferecer acesso ao ensino é mais do que um direito garantido por lei — é uma estratégia eficaz para reduzir a reincidência criminal, estimular o crescimento pessoal e dar novas oportunidades de vida aos internos.
A Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984) afirma que a educação deve fazer parte da rotina das unidades prisionais, e que todo preso tem o direito de estudar, seja para aprender a ler e escrever, concluir o ensino básico ou até iniciar o ensino superior à distância.
Por que a educação é tão importante dentro do presídio?
Rompe o ciclo da criminalidade
Muitos internos vêm de contextos de pobreza e baixa escolaridade. Ao ter acesso à educação, eles podem adquirir novas habilidades, conhecimentos e perspectivas de futuro, o que reduz as chances de voltarem ao crime após o cumprimento da pena.
Gera autoestima e autonomia
Aprender a ler, escrever ou concluir um curso representa um marco pessoal para muitos detentos. Isso eleva a autoestima, fortalece a identidade e dá sentido ao tempo dentro da prisão.
Favorece a disciplina e o convívio social
Participar de aulas exige respeito a horários, regras e convivência coletiva, o que ajuda a manter a ordem dentro da unidade e prepara o interno para a convivência em sociedade.
Reduz a pena por meio da remição
A cada 12 horas de frequência escolar, o preso pode reduzir um dia de sua pena. Isso serve como incentivo para que mais internos participem das atividades educativas.
Quais são os tipos de educação oferecidos nas prisões?
A educação prisional pode acontecer de diversas formas:
- Educação de Jovens e Adultos (EJA): para quem não concluiu o ensino fundamental ou médio.
- Alfabetização: para internos que não sabem ler nem escrever.
- Ensino superior à distância: em parceria com instituições de ensino que oferecem cursos online.
- Cursos profissionalizantes: de curta duração, focados em habilidades como eletricista, pedreiro, mecânico, entre outros.
- Bibliotecas e leitura orientada: além de aprender em sala, o interno pode ler livros e, em alguns estados, apresentar resumos para obter remição da pena.
Desafios da educação no sistema prisional
Apesar da importância da educação, há obstáculos que ainda precisam ser superados:
- Falta de espaço físico adequado para aulas;
- Pouco número de professores capacitados;
- Interrupções constantes nas atividades por questões de segurança;
- Falta de materiais didáticos e tecnológicos;
- Baixa motivação inicial de alguns internos.
Mesmo com esses desafios, os resultados positivos da educação são visíveis. Internos que participam de programas educacionais apresentam melhor comportamento, mais disciplina e maior chance de não reincidirem no crime após a liberdade.
O papel do agente penitenciário na educação dos presos
O agente penitenciário não é o educador, mas tem um papel importante no apoio ao funcionamento das atividades escolares, garantindo:
- Acompanhamento seguro durante o deslocamento dos presos até as salas de aula;
- Organização dos horários e presença dos internos nas turmas;
- Apoio à equipe pedagógica no cumprimento das normas de segurança;
- Incentivo à participação dos internos nas atividades educacionais, sempre com respeito e orientação adequada.
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